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A Internet a posse e o uso.

Postado em 29/01/2011 por Pablo Peixoto

Na Internet ninguém é de ninguém. Você provavelmente já ouviu isso, ou viu de diversas formas diferentes. O ato de se apossar de algo, traduzir para sua linguagem e mostrar ao seu público vem sendo chamado de diversas formas: plágio, chupada ou até kibada, denominação que eu pessoalmente acho injusta, pois a prática não é de exclusividade daquele ou deste blog. O fato é que realmente devemos separar o que é plágio do que é reconhecimento. O exemplo seguinte me fez pensar nesta questão.

Ricardo Coimbra é um jovem cartunista, mas que acompanho há um bom tempo já que fizemos faculdade juntos. Seu talento, inteligência e até seu comportamento deliciosamente auto-depreciativo (típico do humor mineiro) já eram conhecido por mim antes mesmo da Internet se transformar no mais virtuoso e virulento canal de comunicação para novos e velhos artistas. Eu tinha certeza que o cara ia estourar em questão de tempo. Depois de algum atraso ele finalmente passou a publicar seu material no blog “vida e obra de mim mesmo“.

Entre muitas outras sacadas geniais, ele escreveu e publicou a tirinha chamada “Gratidão” que posto abaixo. Uma síntese seu estilo, divertido, contestador e cínico. O desenho chamou a atenção de muita gente e foi republicada algumas vezes. E só.

Foi quando o Leandro, que capitaneia o twitter @mussumalive e o blog Bebida Liberada publicou a tirinha sem assinatura. Logo avisei: “Ô maluco, os créditos são do Ricardo!”. Ele me disse: “Cara, tirei isso de um site gringo sem créditos nem assintatura!” Ele nem sabia, mas pegou uma tirinha em português, traduzida para o inglês e retraduziu novamente para o português. Depois da bagunça arrumada (e dos créditos devidos dados) veio outra porrada.

Fuçando pela rede, encontro em um site russo, a mesma tirinha, desta vez traduzida para o idioma local, sem créditos e sem referência e que aquilo foi um dia criado por um brasileiro. Um exemplo total de como as coisas ganham relevância na Internet, se são boas e se comunicam com o mundo, se tornam patrimônio da humanidade. Não importa se foram feitar por um Millor Fernandes ou por um cartunista iniciante de Recreio-MG. Como diria o arquiteto Buckminster Fuller, “Não estamos no tempo da posse, estamos no tempo do uso“.

A culpa é do Leandro, dos americanos, dos russos? Claro que não. O culpado é o Ricardo Coimbra, que ousou criar algo tão familiar e genial que conseguiu romper mesmo as portas das culturas para dar seu recado. A mensagem era mais forte que o autor, e isso diz bastante sobre a Internet e a presunção de posse sobre o conteúdo dentro dela.

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  1. Walter Romano (@walteen)

    Grande reflexão, Pablo. Vivemos a era do desapego.

  2. Rafael Monteiro

    Poisé, existe a diferença entre o copirraite e o direito autoral. Todos deveriam ter o poder de reproduzir material o quanto quiserem, mas nunca de remover o autor ou se entitularem autores de algo que não fizeram, o que no caso já entramos em fraude.

ImprensaMarrom


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